Sugestão de hoje!!!

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Livro que trata do menor abandonado e de sua luta pela sobrevivência.

domingo, 25 de setembro de 2011

Questões sobre Juca-Pirama


CANTO IV


Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi:
Sou filho das selvas,
Nas selvas cresci;
Guerreiros, descendo
Da tribo Tupi.

Da tribo pujante,
Que agora anda errante
Por fado inconstante,
Guerreiros, nasci:

Sou bravo, sou forte,
Sou filho do Norte;
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi.

Já vi cruas brigas,
De tribos imigas,
E as duras fadigas
Da guerra provei;
Nas ondas mendaces
Senti pelas faces
Os silvos fugaces
Dos ventos que amei.

Andei longes terras,
Lidei cruas guerras,
Vaguei pelas serras
Dos vis Aimorés;
Vi lutas de bravos,
Vi fortes — escravos!
De estranhos ignavos
Calcados aos pés.

E os campos talados,
E os arcos quebrados,
E os piagas coitados
Sem seus maracás;
E os meigos cantores,
Servindo a senhores,
Que vinham traidores,
Com mostras de paz.

Aos golpes do imigo
Meu último amigo,
Sem lar, sem abrigo
Caiu junto a mi!
Com plácido rosto,
Sereno e composto,
O acerbo desgosto
Comigo sofri.



01. Juca-Pirama é uma obra indianista em que se narra o drama do último descendente da tribo Tupi, feito prisioneiro pelos Timbiras. No Canto IV, estes permitem que o índio cativo, prestes a ser sacrificado, narre seus feitos. Assinale abaixo o que for correto sobre o poema:
(  ) Nas duas primeiras estrofes, o eu-lírico (o índio cativo) dirige-se aos inimigos, exaltando suas próprias origens e as nobres qualidades de seu povo.
(  ) Na segunda estrofe, percebe-se que a causa da dispersão e ruína do povo Tupi está na força do homem branco.
(  ) Na terceira estrofe, o índio refere-se às experiências guerreiras de outras tribos, guerras e batalhas das quais ele não toma parte.
( ) A tribo dos Aimorés  está sendo associada, pelo eu-lírico, às ideias de coragem, bravura e dignidade, na quarta estrofe.
(  ) Nas estrofes quatro e cinco, constata-se com amargor o fato de que homens fortes e confiantes, bravos guerreiros, são dominados pela covardia e traição de outros homens.
(  ) Da terceira à última estrofes, o índio cativo procura mostrar seu passado de lutas, coragem, sofrimento, traição, mortes, o que deve engrandecê-lo aos olhos da tribo inimiga.

02. “Sou filho das selvas /Nas selvas cresci.”
a) Que características físicas e de personalidade decorrem, para o índio, dos versos em destaque?


b) Transcreva do poema outros versos que comprovem/reforçam essas ideias.


c) Considerando suas respostas nos itens a e b, aponte a característica Romântica que mais se destaca no poema de Gonçalves Dias, dentro da temática indianista.



03. Comente o significado dos seguintes versos:
“E os meigos cantores
Servindo a senhores,
Que vinham traidores,
Com mostras de paz.”

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CANTO VIII


“Tu choraste em presença da morte?
Na presença de estranhos choraste?
Não descende o cobarde do forte;
Pois choraste, meu filho não és!
Possas tu, descendente maldito
De uma tribo de nobres guerreiros,
Implorando cruéis forasteiros,
Seres presa de vis Aimorés.

“Possas tu, isolado na terra,
Sem arrimo e sem pátria vagando,
Rejeitado da morte na guerra,
Rejeitado dos homens na paz,
Ser das gentes o espectro execrado;
Não encontres amor nas mulheres,
Teus amigos, se amigos tiveres,
Tenham alma inconstante e falaz!

“Não encontres doçura no dia,
Nem as cores da aurora te ameiguem,
E entre as larvas da noite sombria
Nunca possas descanso gozar:
Não encontres um tronco, uma pedra,
Posta ao sol, posta às chuvas e aos ventos,
Padecendo os maiores tormentos,
Onde possas a fronte pousar.

“Que a teus passos a relva se torre;
Murchem prados, a flor desfaleça,
E o regato que límpido corre,
Mais te acenda o vesano furor;
Suas águas depressa se tornem,
Ao contacto dos lábios sedentos,
Lago impuro de vermes nojentos,
Donde fujas como asco e terror!

“Sempre o céu, como um teto incendido,
Creste e punja teus membros malditos
E o oceano de pó denegrido
Seja a terra ao ignavo tupi!
Miserável, faminto, sedento,
Manitôs lhe não falem nos sonhos,
E do horror os espectros medonhos
Traga sempre o cobarde após si.

“Um amigo não tenhas piedoso
Que o teu corpo na terra embalsame,
Pondo em vaso d’argila cuidoso
Arco e frecha e tacape a teus pés!
Sê maldito, e sozinho na terra;
Pois que a tanta vileza chegaste,
Que em presença da morte choraste,
Tu, cobarde, meu filho não és.”


01. O índio cativo do texto anterior, condenado à morte, chora diante do inimigo ao pensar no abandono em que ficaria seu velho pai, necessitado de amparo, implorando então que o libertem. Mais tarde, seu pai toma conhecimento do fato.
a) Como reage o velho índio diante do filho?




b) Comprove sua reação, apontando exemplos daquilo que ele passa a desejar para o filho, a partir da revelação dos acontecimentos anteriores.



c) O que o poeta pretende enfatizar quanto ao retrato que ele constrói do índio brasileiro, com uma reação paterna tão impiedosa?




2. Gonçalves Dias, enquanto historiador e etnógrafo, fez estudos acurados sobre o indígena brasileiro a fim de produzir sua obra indianista. Encontre no texto referências à cultura do índio (tradições, crenças, etc.) registradas pelo poeta.






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